Na época deste acontecimento eu morava na Capital do Estado, onde uma onda de reuniões ecológicas aconteciam por toda parte. Fui convidada para uma delas.
O convite era para um jantar, onde estariam presentes várias autoridades importantes.
Caprichei no visual! A noite estava particularmente fria, por isto decidi usar um bonito casaco de PELES DE COELHO que há muito não saia de meu armário.
Quando cheguei no salão onde seria o jantar, fiquei um pouco constrangida com os olhares que se voltavam, como se eu fosse um "ET" recém-caído do espaço. Por onde andava levava comigo os olhares reprovadores e os cochichos das senhoras. Demorei um pouco a atinar no que poderia estar acontecendo! Mas de repente, zás, veio-me o pensamento constrangedor: "De onde me saiu a idéia de ir a uma reunião de ecologistas, vestindo um casaco de peles DE COELHO?"
Então, disfarçadamente tirei o casaco e o coloquei no espaldar de uma cadeira qualquer. O frio na sala mal aquecida, e o vestido que usava, modelo não muito próprio para o inverno, me deixavam tiritando. Mas, tudo bem, pensei, quem mandou ser inconseqüente.
As conversas giravam em torno de mortes de baleias, focas afogadas em óleo derramado nos mares, fumaça de chaminés de fábricas, entre outras.
Algum tempo depois o jantar foi servido, e SURPRESA!
O prato principal era: "COELHO DESOSSADO com molho de amêndoas".
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Conheço o nosso Brasil de ponta a ponta. Norte a Sul, Leste a Oeste. Esse nosso Brasil lindo e faceiro. Mas nenhum lugar mais lindo que Guarapari. Não a Guarapari de hoje, já cheia de gente, poluída e suja. Mas a Guarapari daqueles dias, a quinze anos idos, quando a areia ainda era branca e o ar cheirava a maresia limpa. Pode chamar de nostalgia. Mas é pura vontade de ter ainda aquele sol boiando nas águas mansas, o ar matutino alegrado pelo vento nas folhas das palmeiras, o cheiro do pirão de alho misturado ao cheiro do café coado. A pousada era simples, sem riquefoques nem salamaleques. Apenas uma pousada perdida no areal, assombreada pelas árvores e palmeiras da região. O dono, um senhor já de idade, e sua filha, morena de encher os olhos dos marmanjos que por ali passavam. Cordiais e amistosos os dois. Davam as boas vindas, mostravam os aposentos, e deixavam o hóspede à vontade. Tão à vontade que alguns andavam de manhã até a noite, só de calção ou de biquíni, conforme o caso. Saía todo mundo logo de manhãzinha. Aí eu quedava silenciosa em um canto, ia escrevendo as cores, os sóis, os verdes, tentando por no papel o colorido da vista que se abria ante meus olhos. Quando os outros voltavam, eu saía. Percorria então os arredores, ouvia o soluço das águas espraiando-se pelo areão, corria com algum periquito mais corajoso que se aproximava, sorria por sorrir ao lusco-fusco da noite que se aproximava. Hoje já não é mais assim. Voltei lá para ver. E meu coração doeu com o que meus olhos viram. É! Pode ser saudade. Você tem razão!
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