Paola Rhoden
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Os caminhos da paixão®
(Paola)

Nem sempre os caminhos que trilhamos são aqueles que desejamos. Todas as vezes que nossos passos nos levarem por alguma trilha, temos algo a aprender. Foi assim que aconteceu com Clarinha naquela manhã de domingo.

Quando ela aproximou-se da porta da Igreja onde iria assistir a uma missa, derrubou seu missário e seu terço que foram parar aos pés de um rapaz parado no portal. Ele abaixou-se para apanhar os objetos derrubados, e gentilmente entregou-os a Clarinha que agradeceu. Seus olhares se encontraram. Foi um pequeno lapso de tempo, algo assim como três segundos, mas o suficiente para que a moça ficasse o tempo inteiro da celebração religiosa, olhando para os lados tentando vislumbrar o moço moreno e alto que foi tão gentil.

Quando a missa terminou, Clarinha não sabia nada do que o Padre falara, ou o que os outros fiéis fizeram. Saiu da Igreja rapidamente para encontrar-se com as amigas que a esperavam do lado de fora, mas seu objetivo era vê-lo novamente. Onde estaria?

Passaram-se três dias. Saindo da escola, Clarinha viu-o.

Ele estava encostado no muro em frente com ar de quem esperava alguém. Foi um susto! O coração da menina começou a acelerar e sua respiração ficou quase suspensa. Que emoção! Estaria esperando-a? Nesse momento, uma garota loura e alta passou por ela e correu ao encontro do rapaz que sorriu. Clarinha quase sufocou ao ver os dois saírem abraçados e felizes, no tagarelar alegre e despreocupado das pessoas apaixonadas.

_ Ora! Que tola fui! Como alguém que me viu só por alguns segundos poderia estar ali esperando por mim? – pensou Clarinha sem jeito. E dirigiu-se para o caminho de sua casa a passos lerdos.

_ Bom dia Clarinha! – disse o garoto a seu lado.

Clarinha assustou-se e respondeu quase com maus modos o cumprimento de Jorge seu amigo de classe. Os dois faziam o trajeto de casa juntos, porque moravam próximos e conheciam-se desde criança. Mas naquele dia particularmente, Clarinha estava de mau humor.

_ Deixa pra lá Jorge! Hoje estou sem vontade de nada, nem de conversar! Quer ir sozinho, por favor?

E o garoto um pouco sem jeito apressou o passo deixando-a para traz.

Passaram-se alguns dias até Clarinha entender, que a paixão em seu coração estava fora de cogitações, e que a vida nos dá aquilo pelo qual lutamos e merecemos no momento certo. Sem mais nem menos.

Então aceitou a companhia de seu amigo costumeiro para voltar a sua casa, e retomou a vida sem ilusões da paixão passageira.

® Registro de direitos autorais, só pode ser reproduzido com a autorização da autora.

 

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